segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Notável Vinho Malbec


A arte de apreciar um bom vinho, segue as mais remotas tradições do mundo vitivinícola, na busca por um contexto histórico, social ou cultural perfeito. Beber vinho, apesar de um ato simples, requer uma certa delicadeza olfativa e gustativa.

Certa vez o grande poeta Dante Alighieri disse: “vinho é o doce beber que nunca me teria saciado”, penso que a referência faz jus a nobre bebida, e que segundo registros arqueológicos remota pelo menos aproximadamente 6000 a. C.

O prazer e a sedução caminham lado a lado quando se fala de um bom vinho, pois este irá nos proporcionar sem sombra de dúvidas momentos inebriantes.

Descrever e ao mesmo tempo degustar um vinho é algo tão incrível que me faz as vezes sofrer de alguns delírios poéticos, como por exemplo ao apreciar o “Susana Balbo – Signature”, um vinho da casta Malbec de incrível qualidade, que foi elaborado com muito esmero por parte do enólogo.


Um vinho que traz na sua essência uma dedicatória da nostalgia, com a manutenção do equilíbrio, entre a sensibilidade e as notas delicadas de frutas, em meio a uma explosão de aromas combinados, entre o delicioso chocolate e toques sutis do café da serra.

De uma belíssima cor rubi com toques violáceos, lembrando a beleza da pedra preciosa, com a sua fulgurante luminosidade. Denota-se na tonalidade secundaria a complexidade da coloração de uma bela orquídea.

Aromas amplos, com frutas vermelhas maduras, como amora, cassis e mirtilo, inebriando nosso olfato. Toques de flores da acácia e da violeta, um final de alcaçuz, baunilha e chocolate, envolvem a estrutura perfumada deste finíssimo e persistente vinho.

No palato uma acidez sápida, com álcool equilibradíssimo, untuoso e de uma assistência tânica muito agradável, de sabores muito frescos e uma evolução perfeita para o momento, deixa um final com toques de caramelo e um gostinho de quero mais, uma delícia de beber!

Quero parabenizar este grande produtor Domínio Del Plata, sob a batuta da grande enóloga Susana Balbo, que apesar de não conhecê-la pessoalmente, acabei por me tornar seu fã de carteirinha, pelo nível de qualidade de seus vinhos.

Por todos os atributos descritos, este vinho tem 94 pontos na minha avaliação, merece ser apreciado lentamente, para que se possa realmente degustar esta preciosidade.

 

Susana Balbo Signature

Vinícola: Domínio Del Plata

País: Argentina

Região: Mendoza

Tipo: Tinto

Uva: 95% Malbec e 5% Cabernet Sauvignon

Alcoólico: 14,5%

Safra: 2010

Notas do Produtor:

Cor roxa intensa, com aromas de amora, cereja preta emolduradas por notas de especiarias e hortelã. Os sabores em destaque são repetidos na boca e combinam harmoniosamente com notas de ameixa madura e sutil de baunilha, chocolate amargo e hortelã sobre o acabamento. Este vinho é encorpado, aveludado, com final agradável e persistente.

Colheita Manual, treze meses em barrica, sendo 80% em carvalho francês de primeiro uso e 20% em carvalho francês de segundo uso.

Harmonização: Tagliarini com molho à bolonhesa, chuleta com farofa, maminha na manteiga de ervas, costela no bafo, papardelle com ragú de músculo.

domingo, 19 de maio de 2013

Aromas e sabores no vinho: Mito ou Realidade?




Quantas vezes você já observou alguém girando uma taça, antes de beber o vinho? E colocar o nariz dentro da Taça?
Qualquer uma das atitudes acima pode ser motivada a se fazer um charme para impressionar alguém, ou até mesmo observar criteriosamente, as características do líquido que está ali para ser consumido. Não importa, o que mais nos interessa é o que significa este ato de observar aromas em um vinho.
Mas vamos lá, se o vinho tem como base da sua produção a uva, o resultado só pode ter como cheiro, a uva, não é essa a lógica? No vinho isso não ocorre de maneira tão cartesiana.
Dizer que o vinho tem aroma de abacaxi, ou ameixa negra madura, couro, ervas, parece conversa de maluco. Falar de aromas no vinho é algo simplesmente amplo e bastante simples, pois desde o terroir (local aonde a vinha foi plantada), técnicas de produção, cortes realizados e respectivos percentuais de mistura de castas, a própria casta e o envelhecimento, conferem mudanças significativas que vai impactar no aroma do vinho.
Para exemplificar, uma vez em um evento, uma pessoa me perguntou: Mas como pode ter abacaxi neste vinho se ele foi feito de uva? 

Na realidade quando falamos de aromas de abacaxi, estamos remetendo o cérebro a identificar em nosso olfato ou paladar uma comparação com a algo que lembra um determinado cheiro, que por sua vez já nos foi colocado para ser apreciado.
Temos vinhos que se assemelham em seus aromas a goiaba, e como consigo identificar este aroma?  Provavelmente algum dia me foi oferecida esta fruta e desta forma ao sentir o seu aroma, registro o mesmo em meu cérebro, o que denominamos biblioteca olfativa.  Ao possuir este registro, identifico o mesmo ao sentir o aroma do vinho, como algo semelhante, sendo que posso dizer que o aroma lembra a goiaba.
Procure cheirar as frutas, os temperos, as leguminosas e tudo aquilo que pode ampliar esta base de registros cerebrais, tentando buscar a profundidade, na diversidade de aromas que encontramos a todo o momento ao nosso redor.
Mas não se preocupe em querer o tempo todo identificar o aroma do vinho e causar uma preocupação desnecessária em si mesmo, ou uma boa impressão em alguém, pois o mais importante é apreciar e ter prazer em degustar um bom vinho.

domingo, 28 de abril de 2013

Uma Joia no mundo dos vinhos!!



Encontrar uma preferência de casta no mundo dos vinhos, entre tantas e incríveis possibilidades, realmente é uma tarefa hercúlea, mas sou obrigado a confessar que tenho uma queda por um bom Chardonnay.
A literatura frequentemente relata a Chardonnay com a rainha das castas brancas, não sei qual a fundamentação desta afirmação, mas concordo que ela tem as suas particularidades. Sendo assim para os que apreciam um bom Chardonnay, minuciosamente lapidado em barricas de carvalho, com aromas e um retrogosto maravilhoso, sugiro a minha experiência com O Prelúdio Barrel Select Blanco 2011, um vinho branco muito estruturado e com potencial incrível para acompanhar pratos mais elaborados e encorpados.
 Um vinho de uma cor linda amarelo ouro, intensidade média, reflexos puxados ao âmbar, muito brilhante. No nariz denota muita elegância em seus aromas persistentes e deliciosos, a primeira explosão tem fortíssimo aroma de pêssego em calda, com toques de melão bem maduro, baunilha e um final amanteigado.
Em boca, um vinho caracteristicamente seco, mas de uma suavidade que passa naturalmente nas papilas gustativas, intensificam-se os sabores de pêssego em calda, com notas de melão maduro, um final de boca com muita untuosidade e um amanteigado que desliza suavemente,notas de mel, acidez perfeita e muito equilibrada, nenhum problema com o álcool que está muito bem trabalhado, denota-se pelo tempo de barrica um bom corpo e muita intensidade, um retrogosto impressionante.
Um vinho equilibrado, muito intenso e com uma grande qualidade, eu diria que o melhor Chardonnay que já tomei nos últimos tempos.
Este vinho na minha avaliação é de 92 pontos.

"A expressão da alma, em um vinho com delicadeza e preparado para ser uma joia da alquimia enológica."  
 

Prelúdio Barrel Select Blanco
Vinícola: Família Deicas
País: Uruguai
Região: Juanico
Tipo: Branco
Uva: 90% Chardonnay e 10% Viognier
Alcoólico: 13,5%
Safra: 2011

Notas do Produtor:
 Uvas colhidas à mão com uma seleção rigorosa para garantir que apenas os melhores são colhidos, segunda seleção é feita de uva por uva, após os cachos serem desengaçados.
Fermentação em barricas novas de carvalho francês, com temperatura controlada a 16 ° C, envelhecido em barricas por 11 meses. Batonnages duas vezes por semana para levantar as leveduras nos barris.
Nosso comitê de degustação seleciona os vinhos para a mistura final. O vinho é engarrafado sem filtragem, em garrafas de vidro escuro com rolhas naturais e armazenado em nossas caves para desenvolver ainda mais na garrafa.
Notas de Prova: A reserva especial de vinho Preludio é uma mistura a partir de uma seleção de nossos melhores vinhos envelhecidos em carvalho.
Aparência: A cor brilhante ouro.
Nariz: Complexo, com notas de mel e baunilha.
Paladar: Bem equilibrado e arredondado, encorpado e suave, com notas de manteiga.
Temperatura de serviço: 10 ° a 12 ° C. Recomendamos decantação pelo menos 30 minutos antes de servir.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vinhos Preciosos!!!



Poucas vezes fiquei tão confuso na definição de uma escolha, entre dois vinhos degustados na mesma noite. No Sábado realizamos o jantar de confraternização de nossa confraria no restaurante All Saints Contemporâneo, por sinal um excelente restaurante, comida maravilhosa e claro, fui buscar vinhos de um alto nível de qualidade para nosso evento.
Confesso que até eu mesmo me surpreendi, noite dos italianos Amarone Della Valpolicella e Primitivo Di Manduria, dois vinhos espetaculares, por isso a dificuldade de escolha. Mas tomei a seguinte decisão: Os dois vinhos são excelentes, cada um com suas características únicas e incríveis. 

O Amarone, da região do Veneto, famoso por sua vinificação com uvas colhidas à mão, os cachos de uvas tintas secam de 1 a 3 meses sobre madeira de treliça, o que faz com que haja um aumento da concentração de açucares. A prensagem e fermentação destas uvas secas, tem como resultado um vinho doce, em seguida deixa-se prosseguir a fermentação, quando então as leveduras transformam o açúcar em álcool, obtendo-se assim um vinho seco de alto teor alcoólico, cerca de 15 ou 16%.
Um vinho de cor grená, com os aromas intensos de fruta vermelha madura, como ameixa, cerejas, framboesa e toques de passas, um final de especiarias. Em boca muito equilibrado, deixa sabores muito agradáveis e persistentes no palato.
O Primitivo, da região da Puglia, uma casta geneticamente idêntica ao Zinfandel Californiano, mas muito diferente nas características como vinho. A origem do nome esta relacionada com a colheita, pois é a primeira uva a amadurecer para a vindima. 

De cor rubi intenso e leve toque violáceo, aromas intensos de frutas vermelhas em geleia, toques de chocolate e especiarias. Em boca, muito estruturado, macio e muito elegante, taninos adocicados, intenso e delicioso.

Em minha avaliação os dois vinhos são merecedores de 95 pontos.

Por sugestão de um seguidor, a partir desta publicação vou acrescentar o preço médio sugerido.
Amarone Della Valpolicella – Domini Veneti R$ 185,00
Primitivo Di Manduria – Senssatanni R$ 230,00

Notas dos produtores

Amarone Della Valpolicella
Vinícola: Domini Veneti
País: Itália
Região: Veneto
Tipo: Tinto
Uva: 70% Corvina, 15% Corvinone e 15% Rondinela
Alcoólico: 15,5%
Safra: 2007

O VINHEDO
Localizado no coração do Valpolicella Clássico em terraços secos. Altitude entre 150 a 450 metros acima do nível do mar ao Sul-leste e sul-oeste.
Idade da vinha: 15-25 anos.
PRODUÇÃO
Colheita: Final de setembro, início de outubro com a seleção manual. Seca até janeiro no sótão por 120 dias.
Envelhecimento em barris de carvalho de 50 hectolitros por 18 meses. Envelhecimento em garrafa por 6-8 meses.
 AS CARACTERÍSTICAS
Cor: vermelho granada denso e compacto.
Olfato: bouquet intenso e persistente, etéreo e frutado de cerejas e ameixas pretas, flores secas floral, picante.
Paladar: estrutura macia e firme, contrastado por taninos aveludados.
Este vinho é tradicionalmente servido com carne de caça, grelhados em ensopados e queijos. É um excelente acompanhamento para uma refeição à conversa e meditação.

Primitivo Di Manduria
Vinícola: Feudi di San Marzano (Vini Farnesi)
País: Itália
Região: Puglia
Tipo: Tinto
Uva: 100% Primitivo
Alcoólico: 14,5%
Safra: 2008

Descrição do Produtor
Rubi intenso com reflexos violáceos. No nariz o vinho apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras, como ameixas e cerejas, com notas defumadas e de tabaco e toques de especiarias.
No paladar o vinho é encorpado, apresentando taninos doces e muito macios, além de ótima persistência e elegância. Seus aromas de boca remetem ao café, baunilha e chocolate.
Maturação de 12 meses em barricas de carvalho francês e inglês.
HARMONIZAÇÃO
Acompanha carne vermelha grelhada, caça e massas com molhos intensos.

domingo, 31 de março de 2013

Vinho Imponente!!!



Encontrar a perfeição no mundo dos vinhos e um trabalho hercúleo e quase impossível.
Por diversas vezes, este humilde relator de palavras, que surgem durante a difícil missão de degustar bons vinhos, tem se surpreendido com exemplares espetaculares, que demonstram a delicadeza e a supremacia da enologia.
Nesta semana, encontrei algo que se quer em algum momento chamou a minha atenção, mas ultimamente tenho apreciado boas surpresas e esta não foi diferente.
Cousino Macul – Antiguas Reservas – Merlot, de cor Rubi, intenso, brilhante, um halo curto, demonstrando grande potencial para evolução. Aromas de framboesa, mirtilo, cereja, com predominância do cassis. Toques de pimenta negra, especiarias, com final tostado lembrando um saboroso café. 



Em boca, substancialmente incrível, muito equilibrado e intenso, acidez perfeita, o cassis fica ainda mais presente com notas delicadas de framboesa e mirtilo, um toque picante de pimenta com nuances de especiarias, um final de boca persistente com toques deliciosos de café na torrefação, taninos muito bem trabalhados na sua delicadeza. 

Excelente!!
Minha avaliação para este vinho é de 93 pontos.

Cousino Macul Antiguas Reservas
Vinícola: Cousino Macul
País: Chile
Região: Valle Del Maipo
Tipo: Tinto
Uva: 100% Merlot
Alcoólico: 14%
Safra: 2010

Notas do Produtor:

A partir da safra de 2005, este vinho (anteriormente denominado "Merlot Reserva") mudou seu nome para Old Book Merlot. O nome do Livro Antigo dada aos vinhos Cousiño que atingiram certo nível de perfeição e potencial de envelhecimento. O Livro Antigo Merlot tem uma produção limitada, é selecionado a partir da melhor colheita. O Merlot amadurece exclusivamente em barris de carvalho francês. As plantas do Merlot foram selecionadas para produzir um cacho pequeno, ideal para vinhos de alta qualidade.
NOTAS DO ENÓLOGO
A temporada 2010-2011 foi muito boa. Enquanto houve rendimento de uva baixo, obtivemos uma fruta muito saudável, com boa maturação por condições meteorológicas. No inverno, houve boas chuvas, uma mola com temperaturas baixas e um verão seco, resultaram em uma excelente maturidade. Começou-se a colheita das variedades vermelhas no final de março. Em geral, os vinhos estão corretos em seus frutos, taninos harmoniosos e estruturados e macios.
VINIFICAÇÃO
Após colheita manual cuidadosa, a produção de vinho começou com uma maceração a frio durante sete dias a 10°C (50°F). Em seguida, o suco foi fermentado por 9-10 dias a uma temperatura média de 26ºC (79ºF), usando diferentes cepas e leveduras. A maceração de 20 dias permite reforçar os sabores e aromas, com taninos suaves. O vinho foi envelhecido em barricas de carvalho francês durante 12 meses e depois clarificado antes do engarrafamento.
NOTAS DE PROVA
A partir de uma cor de cereja vermelha elegante com guarnição violeta, este Merlot é conhecido por seus sabores frutados agradavelmente como amoras e mirtilos. Ligeiramente picante, com um toque de produto assado muito bem construído de carvalho francês. Isso mostra o equilíbrio perfeito com uma textura sedosa e fresco, acidez média, taninos aveludados e dóceis que confirma os aromas de carga de frutas.
Excelente para acompanhar preparações de média intensidade, como o peru com molho de castanha, teriyaki, pato ao molho, cordon bleu com molho de pistache, lasanha de berinjela ou um ratatouille clássico. Também harmoniza bem com uma variedade de queijos.